Políticas do CUS

Leandro Colling

Leandro Colling

Jornalista, mestre e doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas. Professor da UFBA e coordenador do CUS.

Depois de ser provocado por colegas, resolvi entrar na discussão sobre o “embate” entre o pastor Silas Malafaia e o geneticista Eli Vieira. Desta vez, tudo teve início por causa de uma entrevista de Malafaia à Marília Gabriela, na qual ele defendeu que não existe um componente genético para determinar a homossexualidade e que, por isso, a orientação sexual homossexual seria um comportamento. Esse “raciocínio” é usado pelo pastor para justificar a sua homofobia pois, para ele, se se trata de um comportamento, ele pode e deve ser modificado e/ou curado.

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Hoje vou pedir licença para fazer um preâmbulo antes de entrar diretamente no objetivo do meu texto, que é o de responder a pergunta do título. Também sugiro que, para ter mais facilidade de seguir o meu raciocínio, se tiverem um tempinho, leiam os meus três textos já postados anteriormente, de preferência nesta ordem: O ânus é um órgão sexual?As políticas do cu e o combate ao vírus HIV no Brasil e Gozando através dos tríceps e bíceps.

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Finalmente vou cumprir a promessa e continuar a sequência de textos que trataram sobre como determinadas partes dos nossos corpos são priorizadas ou negadas como órgãos sexuais legítimos, desejáveis e saudáveis. Meu objetivo, ao rebater o discurso médico hegemônico (que é também do senso comum), que retirou do ânus qualquer possibilidade dele ser um órgão sexual e erógeno como o pênis, a vagina, a boca, os seios, não era apenas o de valorizar o cu, mas de pensar como essa interdição também afeta outras partes de nossos corpos. Por exemplo: existem várias pessoas que adoram pés. Para elas, os pés, por vezes especialmente os mal cheirosos, são fundamentais partes do corpo para a prática sexual.


O que pretendo demonstrar hoje é que, para muitos homens heterossexuais ou não, o próprio pênis deixou de ser o órgão sexual mais importante. Ainda vivemos em uma sociedade falocêntrica, mas isso não quer dizer que sempre o falo será simbolizado pelo pênis em si, como nos lembram vários importantes psicanalistas. O falo é símbolo de poder, mas esse poder que simboliza a masculinidade pode estar concretizado em outras partes do corpo. Na atualidade, para muitos homens, por exemplo, ter um peitoral grande e definido, barriga tanquinho, bíceps e tríceps bem marcados é, talvez, mais importante do que ter um pênis ereto e grande.

Isso porque, para conseguir construir esses corpos definidos e malhados, muitos desses homens tomam drogas que os tornam praticamente brochas. Mesmo sabendo disso, eles continuam tomando as chamadas “bombas”. O que pode estar se passando na cabeça desses caras? Uma hipótese: para muitos desses homens, o mais importante não é o ato sexual “tradicional”. Não é através dele que eles alcançam o gozo. O mais importante, nesses casos, é a exibição dos seus corpos, a produção de conversas, elogios e autoelogios e, também, um tipo de sexo narcísico na frente dos espelhos.

Qualquer pessoa que frequenta ou já frequentou acadêmicas de ginástica (ou seriam elas novos campos forçados, como disse uma vez o pesquisador americano David Halperin?) sabe do que estou falando. Observem as fotos que esses rapazes postam nas redes sociais e facilmente vocês poderão identificar o que estou falando. Não estou supondo que todos os meninos que malham e adoram se olhar no espelho sejam assim, mas é bem plausível que, em uma sociedade que valoriza tanto determinados modelos de aparências corporais, isso possa acontecer com alguma parcela desses homens.

Na internet, os locais de encontros sexuais são outros bons locais para investigar essas questões. Conheço mais os sites e aplicativos dirigidos ao público gay, não sei se o mesmo ocorre nos heterossexuais. É impressionante como existe uma certa prioridade sobre quais partes do corpo devem ser mostradas para atrair mais a atenção de possíveis parceiros. O que mais chama a atenção é que raros mostram o rosto. Isso é compreensível porque vivemos em uma sociedade homofóbica e muitas pessoas ainda temem ser identificadas como gays, em especial como gays caçadores (leia-se promíscuos).

Ainda assim, vale registrar que nesses locais temos, em sua maioria, o que alguns internautas nomearam de um grande número de perfis de “mulas sem cabeça”. Que impacto isso pode causar para as relações no ambiente off-line? Uma gradual desvalorização do rosto? Não sei, talvez.

Na falta do rosto, as pessoas, em geral, fazem o possível para hipervalorizar determinadas partes dos seus corpos. E daí novamente os peitos definidos, bem marcados, os bíceps, tríceps e barriga tanquinho ganham a preferência. Quem tem, exibe, quem não tem faz o possível para encenar que tem, mas quase todos desejam as mesmas partes dos corpos alheios. Ou seja, ainda que poucos gays consigam ter um corpo sarado e definido, produzido com ou sem “bombas”, a ampla maioria os deseja.

O que quero dizer com tudo isso? Talvez muitas pessoas estejam retirando do pênis, da vagina e da bunda também, a centralidade que esses órgãos possuem na prática sexual. Ou seja, essas pessoas gozam através dos seus bíceps e tríceps. Meu desejo é que um dia as pessoas se deem conta de que gozam e podem gozar muito mais com a totalidade dos seus corpos. Assim talvez tenhamos uma sociedade que vigie menos os nossos corpos e pare de determinar quais são os órgãos sexuais que somos obrigados a usar para sermos considerados saudáveis e normais.

Mas ainda não terminei de desenvolver o que prometi em textos passados. Ainda falta falar de bundas, de como o brasileiro adora bunda e, apesar disso, continua sendo excessivamente falocêntrico e homofóbico.

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No meu texto anterior, prometi continuar falando sobre como outras partes dos nossos corpos, além do pênis, vagina, seios e boca, deixam de ou passam a se transformar em órgãos sexuais ultravalorizados ou desqualificados, a depender do período em que vivemos.

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Hoje vou retomar o assunto do texto O ânus é um órgão sexual?, que postei aqui no blog no dia 7 de novembro passado. Primeiro vou tratar da formação de profissionais do campo da saúde e depois pretendo demonstrar o quanto a nossa política de combate ao vírus HIV é guiada por uma lógica falocêntrica.

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Vou deixar o próximo texto sobre as políticas anais, ou do cu, para a próxima semana, mesmo estando animado em função da repercussão do post publicado na semana passada.

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O texto de hoje provavelmente vai gerar muita polêmica. As reações ao que postamos aqui só mostram o quanto os temas em questão são cercados por tabus e discursos de verdade que tentam, a todo custo, obrigar todas as pessoas a usar os seus corpos apenas dentro de uma mesma forma.

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No início deste mês, o Tribunal de Justiça da Bahia ganhou destaque na imprensa do Brasil porque o Diário Oficial publicou um documento com o horrendo nome de “Provimento Conjunto 12/2012” que determina que todos os cartórios do Estado, quando procurados, deverão realizar casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

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Cena 1: Forte do Barbalho, Salvador, noite do dia 1º de outubro de 2012, Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (FIAC-BA). No espetáculo Yo no soy bonita, a atriz Angélica Liddell conta, com elementos de sua própria biografia, os impactos de um abuso sexual que ela sofreu quando tinha nove anos. Em determinado momento, ela pega uma gilete, corta a pele dos seus joelhos e filetes de sangue escorrem pelas canelas. Ela pega pedaços de pão, passa na pele ensanguentada e come. A cena embrulha meu estômago, a plateia fica chocada.

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Esta pergunta do título foi o tema de um debate que ouvi na semana passada, em um programa de grande audiência, As metropolitanas, da Rádio Metrópole, apresentado de segunda à sexta, das 11h às 12h, pelas jornalistas Ana Borges, Cristiele França e Ticiane Bicelli. Desde setembro, o programa reserva as manhãs de duas terças por mês para tratar de assuntos da comunidade LGBT. Para estas edições, conta com a participação especial de David Souza, pesquisador do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade, coletivo que eu coordeno na Universidade Federal da Bahia.

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Chegou a hora de concluir a série de três pequenos artigos em que tentei apontar algumas características que diferenciam as pessoas travestis, transexuais, transgêneras, transformistas e drags. Teria muito mais a dizer sobre o assunto antes de concluir a série, mas prometo voltar ao tema em outra ocasião. Por exemplo, alguém poderia dizer que transformistas e drags não são identidades, tais como são os/as demais TTTs. Essa é uma leitura muito comum, mas eu tenho minhas dúvidas. Pelo contato que tenho com essas pessoas, percebo que as “personagens” das transformistas e drags não desaparecem por completo depois dos espetáculos. Mesmo desmontadas, muitas transformistas continuam sendo chamadas, por exemplo, pelos seus nomes artísticos. Isso não é uma evidência de que existe ali uma nova identidade?

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No meu texto da semana passada, tentei apontar algumas diferenças entre travestis, transexuais, transformistas e drags, enfatizando que essas “categorias” são bem diversas entre si e que, muitas vezes, elas se cruzam. Faltou falar do outro T, de transgêneros/as. Esse é o objetivo do texto de hoje. Na próxima semana, responderei, afinal, a pergunta título destes meus dois textos. O que esse universo trans nos ensina sobre o campo das sexualidades e dos gêneros? Pensei que daria para terminar a série hoje, mas fui escrevendo e não consegui parar. O tema é apaixonante, apresenta tantas nuances e fica difícil resumir tudo sem perder a riqueza destas experiências.

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Quem acompanha o nosso blog desde o início sabe que já prometi desenvolver alguns assuntos. Está na hora de começar a cumprir as promessas. Uma delas anunciava que eu tentaria fazer uma distinção entre travestis, transexuais, transformistas e transgêneros/as. Vou fazer isso em duas partes, pois o tema é muito complexo, mas aviso desde já que estes textos não interessam apenas a quem se identifica com alguma dessas categorias. Pretendo demostrar como as experiências trans nos ensinam sobre a sexualidade em geral, inclusive sobre as heterossexualidades.

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Estava em dúvida sobre o tema do meu texto desta semana. Três assuntos pediam para ser desenvolvidos: a denúncia de estupro no caso da banda New Hit, o anúncio publicado em um jornal de Pernambuco, sob o título de “Pernambuco não te quer”, assinado pelo Fórum Permanente Pernambucano Pró Vida, e a Parada Gay da Bahia, que ocorre no próximo domingo em Salvador. Optei por escrever um pouco mais sobre as paradas, mas sem deixar de citar os dois outros temas porque não os entendo como separados.

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Conforme prometi no meu texto da semana passada, vou tratar hoje sobre a desnaturalização da heterossexualidade. No dia 17 de maio de 2011, Dia Mundial de Combate à Homofobia, a Folha de S. Paulo publicou um pequeno artigo meu sobre o tema. Até hoje aquele texto gera polêmica (leia o original e algumas das repercussões através do http://www.culturaesociedade.com/cus/index.php?limitstart=20)

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O que dizem as pesquisas mais recentes sobre diversidade sexual no Brasil hoje? Qual será o impacto destas pesquisas no futuro? Responder uma pequena parte destas amplas questões é o objetivo do texto de hoje.

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Depois de uns dias de férias, retomaremos o nosso blog. Meu texto de hoje é longo e irá tratar sobre o livro A estratégia – o plano dos homossexuais para transformar a sociedade, recentemente publicado no Brasil pela editora Central Gospel Ltda, de autoria do reverendo norte-americano Louis P. Sheldon.

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Toda vez que nós falamos sobre a desnaturalização da heterossexualidade, a exemplo do que fiz várias vezes aqui no blog e em entrevista à revista Muito, do jornal A Tarde, publicada no dia 26 de maio passado, duas reações são comuns vindas especialmente dos homofóbicos: as pessoas dizem que a heterossexualidade é natural porque apenas com ela ocorreria a reprodução da espécie e outras dizem que queremos atacar os heterossexuais com os nossos argumentos e pesquisas.

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Hoje vou falar um pouco da cena teatral de Salvador. Desde que comecei a me interessar pelos estudos da diversidade sexual e de gênero, há quase 10 anos, sempre defendi que, para promover o respeito à diversidade, deveríamos dar mais atenção aos produtos culturais, sejam eles a telenovela, os demais programas de televisão, a imprensa em geral, a música, o cinema, a dança, a literatura, o teatro etc.

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Fiquei esperando para escrever esse texto porque gostaria de terminá-lo com a comemoração da queda de Feliciano na Comissão de Direitos Humanos. Como isso não aconteceu, e parece que nem vai acontecer, resolvi escrever para tentar dar apenas algumas pistas rápidas para a questão título deste post.

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